10 de fevereiro de 2017

A arte de Declamar (...)


"Gente e poema num só corpo, permanentes..." –. 
Bianca Bergmam e Rodrigo Bauer

Declamação é uma modalidade que faz parte de concursos que ocorrem nos rodeios, que são muuuuuuito diferentes dos rodeios realizados em São Paulo, muito diferente mesmo, (um dia conto mais sobre essas diferenças).


Imagem: Arquivo Pessoal Martina
Nos rodeios do Sul, há declamação, intérprete solista vocal, danças tradicionais, danças de salão (que não é o que aparece no Faustão haha) entre outras modalidades bem legais.

 A declamação então é composta por três jurados, que irão avaliar o declamador, cada declamador se apresenta individualmente com o acompanhamento de um amadrinhador ou não ( amadrinhador é a pessoa que te acompanha com violão, gaita, ou qualquer outro instrumento musical).

Nos rodeios comuns, a poesia é de livre escolha, porém, em grandes eventos como o Enart (Encontro de Artes e Tradição Gaúcha, um dos maiores eventos tradicionalistas da América Latina), ou em grandes rodeios como Vacaria, deve se levar mais de uma poesia.

Ou seja, tu precisa levar de duas a três dependendo do evento, sendo sorteada na hora apenas uma, e se acaso a pessoa se classificar para a próxima "fase", é sorteada outra para se apresentar, e ai, ao final, ocorre a premiação com troféus.
(Algumas vezes, há também premiação em dinheiro).

Há também festivais em que são apresentadas novas poesias, que é a possibilidade de novos autores apresentarem seus trabalhos. Estes festivais ocorrem de forma diferente dos concursos de rodeios, pois devem ser apresentadas poesias inéditas, escritas para concorrer somente ao festival.

Nesse evento há uma comissão avaliadora que escolhe as poesias que irão concorrer, e as escolhidas devem ser gravadas. Depois, o autor da poesia escolhe quem vai defender a obra, ou seja, quem vai declamar. Em sequencia, o declamador escolhe quem vai o amadrinhar, quais serão os instrumentos que serão utilizados e a forma que vai prosseguir durante a apresentação, há também um limite de participantes e sempre são publicados depois CDs com as obras.




Bom já se passaram sete anos desde que inseri essa arte da declamação na minha vida, e sinceramente, não penso em largar por motivo algum!

A declamação vai muito além de simplesmente decorar uma poesia e contá-la para os jurados de uma forma convincente para chegar ao topo da premiação, seja de concursos, rodeios ou festivais.

Não, não é só isso, é muito mais que isso.
 Declamar vai além do que as pessoas leigas podem imaginar, declamamos por amor, seja em cima do palco ou em uma roda de conversa, o amor à poesia que nos move.

Só quem declama sabe o sofrimento e as alegrias que esta arte nos proporciona.

A declamação é tornar a poesia sua vida, é entrar na vida de um personagem idealizado por um poeta. É tornar de si uma ferramenta para a poesia tomar conta de ti e transmitir a sua mensagem para o mundo exterior.

É interpretar com amor, dar a alma para um trabalho, viver intensamente aquele momento, as palavras ganham vida e se derramam na voz do declamador, inundando o espaço com seus gestos, entonações, emoções e verdades.

É viver mil vidas em uma só!
Foto créditos Maristela Muniz, declamadora Priscilla Alves Colchete

"É assim a luta de quem faz do verso, a vida
Pelos caminhos tão eternos e tão breves!
A alma cinza, de repente, é colorida
E a poesia está no homem que a escreve..."

Bianca Bergmam e Rodrigo Bauer

Passar horas lendo e relendo poesias até escolher uma que bate mais forte o coração, dias decorando cada palavra, cada ponto, cada vírgula, ensaiar cada parada, cada respiração, a expressão corporal, expressão facial, controlar as emoções e passar emoções, é viver em constante transformação e aperfeiçoamento.

Ver a admiração de quem nos assiste, os aplausos, os elogios. As notas e o resultado pouco importam. O importante é sair do palco com o sentimento de dever cumprido, e saber que mostrou o melhor do seu trabalho.

Mas é também chorar de alegrias com um troféu em mãos, é chorar de tristeza por não ter alcançado o objetivo, é sofrer com tropeços, esquecimentos. É não conseguir segurar a emoção e cair em lágrimas durante a poesia. 

É também fazer homenagens, torcer pelos amigos, festejar a alegria dos mesmos, mesmo que eles sejam seus concorrentes. É esperar o outro sair do palco e dar um abraço de parabéns, ou desejar um boa sorte antes deles entrarem no palco.

Imagem: Créditos Benhur da Costa, o amadrinhador e o declamador William Andrade.

É união entre aqueles que amam a mesma arte, a mesma vida.
 É admirar o trabalho dos que está há mais tempo nessa estrada e se inspirarem neles também.

É perder a conta do tempo escutando as poesias e não cansar. Estar constantemente procurando novas poesias, novos autores, festivais, por simplesmente amar isso.

Não podemos se esquecer dos nossos amadrinhadores, violeiros, gaiteiros, violinistas, entre outros, que com seus acordes deixam o momento ainda mais mágico, nos arrepiando com a forma que se encaixam tão perfeitamente nas palavras. É tanta sintonia que hipnotiza.

Declamar não é apenas arte, declamar é a nossa vida, pois nossa alma é feita de poesia.

"Algo de humano está no verso, certamente...
Homem é livro que saiu, recém, do prelo!
Por isso, o poeta e a poesia, eternamente
Vivem no fogo do romance e do duelo!"
Bianca Bergmam e Rodrigo Bauer


Isso foi só um pouco do que é a vida de um declamador, os lados bons e os lados sofridos.


Imagem: Arquivo pessoal Martina
Esse é um pedacinho de mim.

Se vocês já escutaram ou assistiram alguém declamar, ou até mesmo vocês já fizeram isso, me conta nos comentários.

E para quem está curioso e gostaria de conhecer como é essa vida, é só clicar AQUIAQUIAQUI e AQUI. São quatro declamadores que admiro muito, claro que foram só alguns, pois se fosse colocar todos que eu admiro a lista ia ser longa, vale a pena dar uma olhada.

*Poesia utilizada na matéria é "O Duelo" dos autores Bianca Bergmam e Rodrigo Bauer.


E-mail: martinabaptista@gmail.com
Hasta luego, beijos de luz da Tina!

2 comentários:

Lucio Mota disse...

Lendo esse post que você fez, lembra quando ajudou um que não sabia a declamar? Foi um pouco sofrido né hahahaha

Martina B. Silveira disse...

Sofrido, mas foi divertido vai dizer que não? Temos que dar mais umas ensaiadas hein! Hahaha

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